Em artigos anteriores, a mecânica de campo foi analisada no nível de sistemas e relacionamentos.
Este artigo vai um nível abaixo.
Ele não pergunta sobre a estrutura.
Ele não faz perguntas sobre o sistema.
Ele pergunta sobre a unidade.
Porque a mecânica não começa entre as pessoas.
Começa dentro de você.
1. definição operacional de mentira
Nessa série, a mentira não é uma categoria ética.
É um conceito operacional que descreve um estado de inconsistência.
Definição:
Mentir significa uma discrepância persistente ou repetida entre:
- fatos,
- declaração (verbal ou simbólica),
- e ação real.
Essa discrepância pode ser:
- consciente ou inconsciente,
- único ou fixo,
- individual ou sistêmica.
Nessa visão, o importante não é a intenção, mas o efeito estrutural.
A mecânica do campo não responde à intenção, mas ao nível de inconsistência.
2. o que acontece energeticamente
Toda inconsistência gera tensão.
Nem sempre imediatamente visível.
Nem sempre dramático.
Mas presente.
Porque quando:
- Você está dizendo algo diferente do que sabe,
- você está fazendo algo diferente do que declara,
- você cria uma imagem que precisa ser mantida,
uma camada adicional de controle é criada.
Isso é necessário:
- Lembre-se da versão,
- Fique de olho na coerência da narrativa,
- responder à possível divulgação,
- corrigir a imagem.
O custo.
Não é moral.
Energético.
3. memória como uma carga
A consistência é leve.
A inconsistência requer memória de trabalho.
As “mentiras corretivas" de menor importância:
- mais informações para você ficar de olho,
- quanto maior a tensão no relacionamento,
- quanto maior a vigilância.
O organismo não distingue totalmente entre uma ameaça física e uma ameaça de imagem.
A inconsistência de longo prazo leva a:
- tensão crônica,
- fadiga,
- irritabilidade,
- perda de clareza nas decisões.
Isso não é uma penalidade.
É o custo de manter a discrepância.
4 E quanto ao pensamento?
Um pensamento em si não é uma mentira.
O pensamento é um processo cognitivo.
Pode ser:
- hipótese,
- interpretação,
- simulação,
- uma lembrança,
- uma reação a uma emoção.
Os pensamentos aparecem automaticamente.
Eles ainda não são uma decisão.
A mentira só começa em outro lugar.
Quando:
- reconhecemos o fato,
- sabemos que o conteúdo em questão é inconsistente com a realidade,
- e, ainda assim, nós a perpetuamos como uma mensagem ou base para ação.
Surge então uma discrepância.
Não entre pessoas.
Em um indivíduo.
Não é o pensamento que é o problema.
O problema é a manutenção consciente da inconsistência entre um fato reconhecido e uma declaração ou ação.
O pensamento pode estar errado.
Pode ser imaturo.
Pode ser emocional.
Isso ainda não é uma mentira.
A mentira começa onde a verdade já foi vista -
e, ainda assim, foi afastada.
É aí que entra a tensão.
E isso está começando a custar dinheiro.
5. E se alguém mentir compulsivamente?
Nem toda inconsistência é uma escolha consciente.
Há pessoas que:
- você desenvolveu o hábito de passar a verdade como uma forma de lidar com a ansiedade ou a pressão,
- cresceram em condições em que a honestidade era associada a punição, rejeição ou ameaça,
- aprenderam a se proteger criando versões da realidade em vez de confrontar os fatos,
- gradualmente perdeu o limite claro entre a imagem e o real.
Os mecânicos não julgam.
Mas o efeito permanece.
Quanto maior o número de discrepâncias,
maior a tensão no campo da unidade.
E a tensão está sempre procurando uma saída:
- nas relações,
- em emoções,
- em conflitos,
- em somática.
6. como reconhecer o custo da inconsistência
Em um indivíduo, os sinais são:
- a necessidade constante de controlar a narrativa,
- medo do confronto,
- fadiga relacional,
- irritação quando solicitado a dar detalhes,
- quebra de concentração,
- tensão crônica.
Isso não é evidência de culpa.
Esses são indicadores de carga energética.
O sistema reage de forma semelhante:
onde a inconsistência se acumula, o atrito aumenta.
7. por que não vale a pena
Você pode funcionar em tensão por anos.
Você pode estabilizar uma imagem às custas de energia.
Você pode construir sua própria versão da realidade.
O problema começa quando ele deixa de responder aos fatos.
O cálculo é simples:
Inconsistência:
- aumenta o custo operacional,
- reduz a clareza das decisões,
- prejudica a confiança,
- gera conflitos secundários.
Consistência:
- reduz a tensão,
- simplifica a comunicação,
- reduz o custo da memória,
- estabiliza os relacionamentos sem controle.
Não se trata de uma questão de moralidade.
É uma questão de economia de energia.
8 Ponto de transição
Se a inconsistência gera custos,
então surge a questão inversa:
Como é um sistema no qual você pode se sentir:
- A palavra coincide com o fato,
- a decisão coincide com a intenção,
- A operação não requer uma versão sustentada,
- e a memória não precisa ficar atenta a discrepâncias?
Esse modelo é realmente possível?
Isso é idealismo?
Ou a forma de operação mais eficiente em termos de energia?
Esse será o assunto de outro artigo.





